domingo, 9 de março de 2008

CARTA BRASIL
FÓRUM DA OUTRA IMPRENSA POSSÍVEL

Uma das vantagens do rádio é que ele pode ser ouvido enquanto o ouvinte faz outras coisas. É uma trilha sonora disponível e acessível para preencher qualquer roteiro. Caminhando, correndo, criando, construindo, mudando. Em pé, sentado, deitado, acordado, cansado. Muitas coisas podem ser feitas enquanto se escuta rádio em qualquer lugar. É uma ferramenta que não dá para desprezar na luta contra o atraso.

A mídia golpista usa esse veículo como uma prostituta de nascença, ou seja, tecnicamente é uma bela mulher, mas não é indicada para constituir uma nação civilizada porque carrega o passado nas entranhas e sempre corre o risco de perder a cabeça e cair em novas tentações totalitárias como, de fato, tem caído.

Ouvir um debate diário entre pessoas como Marilena Chaui, as Ivanas Bentes e Jinkings, Mino Carta, Emir Sader, Flávio Aguiar, Luiz Carlos Azenha, Bernardo Kucinski, Luiz Nassif e Renato Rovai, entre muitos outros, na RCB - Rádio Carta Brasil, não deixa de ser um ótimo programa, com duplo sentido. Só para citar alguns nomes como exemplo, que podem participar de onde estiverem ao vivo, usando todo o arsenal de conquistas tecológicas disponível, não importa o que estejam fazendo. Um programa descontraído como todo brasileiro, que pode se chamar "roda de fogo", "pausa para o café", "boca livre", "chá das cinco", "senso incomum" ou "terceiras intenções". Não importa, o que vale é o conteúdo. E disso este parágrafo está cheio.

Pode ser o suporte para a exceção à regra da mídia, a blogosfera independente e de esquerda, conquistar seu espaço inquestionável e respeito permanente, garantidos pela constituição e mantidos pelo estado. Como um ponto de referência capaz de atingir o público sequestrado pelas corporações ilegítimas, as capitanias hereditárias da mídia, que mantêm um país inteiro refém de negociantes sem escrúpulos. Ainda bem que seus barcos já estão fazendo água e a situação exige adaptação ao novo estado de coisas.

Cultura. Sen-ti-do. Por mais que pareça óbvio: ordem unida é a saída. A unidade é a alternativa. Ou são preenchidos os vazios informativos e transformadas as tropas de elite em grupos de discussão cada vez maiores, referendados pela sociedade através da audiência e do número de acessos, ou permanece o exílio no qual, pela sobrevivência da espécie, uns batem nas portas dos outros por um prato de notícias ou de visibilidade para não morrer de fome de informação e convivência.

Rádio Carta Brasil é simbolicamente a união de duas grandes cartas brasileiras, a Capital e a Maior. Todos os construtores coletivos da "RCB - A rádio que faz jornalismo" serão carteiros do Brasil no Fórum permanente da outra imprensa possível, até que ela não seja apenas um sonho que se sonha só. Para combater e denunciar as febres amarelas, dengues, apagões aéreos e crises neuróticas da moda enfiadas goela abaixo da nossa democracia endêmica (ainda bem).

Quantos assaltos são executados todos os dias quando são roubados outros pontos de vista sobre o mesmo fato? Quantos sequestros relâmpagos da informação serão necessários até que as vítimas percebam que estão no cativeiro hipodérmico?

Em algumas ações dispersas e outras mais sólidas foram conquistadas grandes vitórias, lembro a fraude do delegado Bruno em 2006, desmascarada pela Carta Capital, Conversa Afiada e Vi o Mundo. Embora ainda sem força e expressão suficientes para influir na destinação dos recursos públicos federais em publicidade, a vaca profana da mídia golpista, que quer de volta suas tetas e não vai descansar até conseguir, a luta continua.

A economia popular e a história ensinam através dos camelôs e dos grandes vultos: vitória no Brasil é no grito, na proclamação da independência e da república, na maior audiência, nas manchetes, na próxima atração inédita e exclusiva, na liquidação das ofertas, no golaço, na vaia, no aplauso, no carnaval, na alegria ou na tristeza, diga ao povo que fico.

Estamos apresentando... algo que nem é original ou genial. É o óbvio ululante, o que está na ponta da língua e diante do nariz. Só falta botar a cabeça no lugar e cuidar da convergência do olhar, ou dos ouvidos, já que de divergências a democracia está entupida.

Como diz Silvio Rodríguez: "se saber não é um direito, seguramente, será um esquerdo".

A sigla de "Fórum da Outra Imprensa Possível" pode ser "FOImPossível", mais uma sigla "mantra" para alimentar a esperança da blogosfera independente e de esquerda.


POST POST

A idéia da Rádio Carta Brasil é uma sugestão do carteiro e do poeta à mídia independente e de esquerda na rede mundial de computadores. O poeta e o carteiro não têm cacife para abraçar o mundo com as pernas. Quem sabe alguns cacifados assumam a proposta e resolvam abraçar a causa. É bom dizer que este é apenas um exercício da liberdade de pensar e imprimir o que pensam carteiro e poeta, não tem nenhuma finalidade de buscar reconhecimento pela sugestão. É coisa de franco (sincero) atirador. Até porque de boas intenções aquele lugar está cheio.

Atualizado às 11h12min de segunda-feira, 10 de março de 2008.
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5 comentários:

claudia cardoso disse...

Não tinha ouvido falar da Rádio Carta Brasil. Como ouvi-la?
Mais, boa a enquete. Irei chamar a atenção para a mesma no Dialógico. Votei na última opção, aguardando o momento de poder tratar do tema.
Abraço!

Eduardo Martinez disse...

Cláudia, na verdade, a idéia da RCB (Rádio Carta Brasil) é uma sugestão do carteiro jogada na blogosfera para ver o que acontece. Até porque é necessária a convergência de ações de todos os envolvidos. Segue a mesma linha proposta pela enquete, ou seja, a falta de veículos independentes e de esquerda, rádio e jornal impresso de grande cobertura nacional, para resgatar as partes da informação sequestradas pelo "crime organizado da mídia", que faz o que bem entende sem ser questionado no mesmo nível de abrangência.

Paulo Augusto disse...

A idéia é genial!!!! Poderia ser operacionalizada pelos "comparsas" da ABRACO, com uma grande rede nacional de "piratas" comunitárias. Da minha parte vou contatar o camarada Clementino, da ABRACO e repassar a idéia. Paulo Augusto

Eduardo Martinez disse...

Valeu, Paulo. A forma como as coisas acontecem e se reproduzem na blogosfera é estimulante. Talvez o surgimento de idéias como essa de baixo para cima também estimule pessoas do quilate de um Mino Carta ou Luiz Carlos Azenha, por exemplo, pela visibilidade que têm, se não participem diretamente, pelo menos ajudem na formação do coletivo de empreendedores em condições de fazê-lo.

Paulo Augusto disse...

Como já disse, estou fazendo minha parte. Quem sabe alguém que já tenha um histórico de diálogo com o Mino, Nassif, Paulo Henrique Amorim etc, comece a plantar nos seus blogs esta idéia. Assim vamos fazendo o bolo crescer...