sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

YEDITADURA

Cristóvão Feil, do Diário Gauche, e Marco Weissheimer, do RS Urgente, leituras obrigatórias do carteiro e do poeta, mesmo nas horas mais difíceis, revelam o espetáculo do crescimento da Yedonorância no Rio Grande.

DIÁRIO GAUCHE
Dona Yeda parte para a ignorância

Policiais militares invadiram ontem um assentamento do Movimento Sem-Terra em Sarandi (RS). A invasão ocorreu depois de a Brigada Militar descumprir um acordo com a Polícia Civil, Ouvidoria da Segurança Pública do Estado e a Justiça da comarca de Carazinho. A informação é da Agência Chasque. Leia mais AQUI.

RS URGENTE
Crônica e imagens de uma quase-tragédia

(...) Um juiz estadual determina mandato de busca e apreensão para itens supostamente roubados por algumas pessoas que supostamente estariam participando do Encontro. Os itens incluem um anel de ouro, uma máquina fotográfica, R$ 200, um rádio de carro, entre outros. Merece destaque o fato de que estes itens são apresentados desta forma, que não permite sua identificação. Qualquer anel dourado, qualquer máquina, qualquer conjunto de notas e moedas somando R$ 200 se enquadram no rol de provas a serem buscadas. (...)

(...) A imprensa internacional anuncia a possível tragédia. A ONU se manifesta pedindo suspensão da ação.

Os agricultores se preparam para oferecer resistência, com paus e pedras. A organização dos agricultores consegue conter o nervosismo de todos, a tensão é amenizada com canções. No momento em que o confronto parece inevitável, a negociação evolui para bom termo. Os ônibus são revistados pela polícia, a Brigada Militar não entra na área do assentamento, a ação militar é suspensa, os agentes se retiram, agricultores retornam às atividades do Encontro. Leia mais
AQUI.

POST SCRIPT

O carteiro, pau mandado do poeta, deixou este comentário na postagem do Diário Gauche.

É urgente acelerar a construção além de "blindar" as instituições democráticas já devidamente consolidadas. Tendo essa como primeira bandeira: garantir e popularizar a permanência e o constante aperfeiçoamento do processo democrático entre nós.

É preciso não descuidar da "materialização" de uma instituição subjetiva da democracia: o pertencimento cultural das conquistas sociais – conquista não é concessão nem favor.

Enquanto não houver outra forma efetiva de garantir essa impressão digital na sociedade, na luta contra a omissão do estado diante da exclusão social, a invasão política deve e vai continuar sendo o único instrumento capaz de movimentar o dinossauro estatal (?), dependente químico de bases parlamentares e seus efeitos colaterais: os acordos por cargos e espaços de decisão.

Mas há uma cratera institucional ainda a ser denunciada: o poder judiciário jurássico no tamanho, na lentidão e, principalmente, no instinto selvagem, pragmático e corporativo de classe.

O que fizemos no ano passado, o que estamos fazendo no gerúndio, é ou não uma invasão dos latifúndios improdutivos da mídia para impulsionar a sociedade a dar mais um passo afirmativo em direção ao aperfeiçoamento democrático?

Talvez o objetivo não deva ser apenas convocar a sociedade a apoiar e divulgar as ações do movimento. Uma das coisas que mais me marcaram na vida foi descobrir que a cultura Guarani acredita que nós não temos nome, nós somos o nome. Portanto, meu nome não é Eduardo, eu sou Eduardo. Pelo mesmo raciocínio, acho que devemos trabalhar para a sociedade ser o que é: o próprio movimento social; não apenas ter conhecimento e um certo grau de comprometimento com ele.

Fotos: Leonardo Melgarejo.
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Um comentário:

msilvaduarte disse...

Li teu comentário lá, Eduardo. Excelente.

Um abraço.